terça-feira, 16 de abril de 2013


Modernidade Regressiva

Sempre achei que escrever um livro ou fazer um filme fosse fácil.
Bastaria uma história interessante, palavras bonitas e expressão fácil.
Me pergunto sobre os escritores/produtores, se criam histórias para viver fora do mundo conhecido, fora do caos, das incertezas da vida, da fantasia inexistente quando se chega a fase adulta. Onde descobrimos que o Príncipe encantado não existe, onde a facilidade do “final feliz” é mera ilusão, onde o conto de fadas é só uma história paras as pessoas sentirem esperança em alguma coisa por um breve momento.
É fácil sentar e virar uma página e se transportar para um mundo onde a história tem começo, meio e fim. Onde tudo começa lindo, passa pela tempestade e no final vem a calmaria.
Mas assim que a história termina voltamos pro nosso mundo. Aquele cheio de incertezas, de dúvidas, de tristeza, de idiossincrasias hipócritas sobre a vida que levamos.
Penso se sou louca por imaginar que tão pouco serve para resolver tantas coisas que se perderam no decorrer dos dias.
Onde foi parar a esperança, a luta, a vontade de continuar, o amor...?
As pessoas estão tão presas às suas responsabilidades (ou a falta delas) que se esquecem do que o ser humano realmente precisa pra se levantar todos os dias e viver um de cada vez.
Presas aos seus problemas, dificuldades, falta de dinheiro, disputas incessantes por um lugar ao sol, que se esquecem de chegar em casa e dar um beijo na esposa, atenção aos filhos, afago nos animais de estimação, do banho aproveitado.
Muitos não possuem nem isso, mas estão lá, de pé, com a esperança de encontrar alguma exceção durante o dia.
Uma exceção que te estenda a mão, que te dê um colo, que te permita um porto seguro nem que por um minuto.

Esqueceram-se de ser bons. Esqueceram-se de serem humildes. Esqueceram-se de serem humanos. Esqueceram-se de que um abraço cura mais do que um Rivotril, que um toque cura mais que uma Neosaldina, que atenção cura mais que qualquer sessão de terapia.
Hoje assisti um filme que me fez pensar se também esqueci de tudo isso, mas percebi que não.
Ainda sou, aos 30 anos, uma mulher que admira um sorriso de uma criança, uma abanada de rabo de um cão, uma cabeçadinha de gato nas pernas, uma rosa no jardim, as rugas de experiência de um idoso, a gratidão de quem recebe.
Não perdi minha essência de inocência! Não perdi meus princípios ao assistir o sangue escorrer pela TV! Não perdi meu jeito de não conseguir negar uma ajuda quando sei que de alguma forma dá para fazer.
Tenho dias ruins, tenho picos de stress, tenho explosões sentimentais, tenho problemas que me tiram a esperança de ter o tal “final feliz” mas isso não muda minhas atitudes no dia a dia.
Continuo achando que o ser humano pode ser como nos filmes, como nos livros. Onde podemos sair do mundo real e fazer deste um mundo de gente humana sem prepotência, sem discriminação, sem egoísmo.
Não é impossível fazer o mundo de fantasia se tornar o mundo real ao invés de vivermos isso apenas por breves momentos ou num simples virar de páginas ou num simples aperto de botão no controle remoto.
Me questiono minha capacidade de compromisso com certas coisas.
Acredito que muitas pessoas fazem o mesmo quando são postas na parede através de palavras que lhe julgam como fracas.
Será que somos fracos por estarmos tão cansados de certas coisas ou já fomos fortes demais e nos entregamos à rotina imposta pelo comodismo?
Cobranças diárias em relação ao número do seu manequim, como você se porta, como diz o que pensa, a cor do seu sapato, seu corte de cabelo, seu físico, sua imagem fora dos padrões impostos pela sociedade (mais uma vez) hipócrita, a qual dita regras pífias a serem seguidas...
Tudo isso numa cabeça e coração só. Todo dia é uma batalha para estar entre os TOP´S, dentro dos padrões, mas essa mesma sociedade que te cobra uma imagem de santo(a), é a mesma que ignora um cão na sarjeta, uma criança sem direito à escola, um idoso sem direito aos seus próprio direitos.
Livre arbítrio é só uma palavra no dicionário, já que ter livre arbítrio é sinônimo de ser julgado a cada passo, cada escolha, cada expressão, cada mudança ou cada atitude.
Me recuso a fazer parte da podridão diária que se vê no mundo.
Me recuso a não ser admirada por não ter 1,70m de altura, pernas grossas, barriga negativa, cabelos chapados balançando no cóccix, salto 15, saia tipo “cinto” e rebolando até o chão.

A própria sociedade perdeu seus princípios, seu ponto de partida, seu objetivo, seus sonhos.
E as crianças, pra onde vão com esse “exemplo” de que se você não for esteticamente perfeita, você está fadada a aceitar qualquer coisa pra não passar o resto da vida sozinha?

Às vezes me pergunto se nasci em época e lugar errado, já que admiro absurdamente um cavalheirismo sem segundas intenções, uma admiração singela e honesta, uma honestidade pura e verdadeira.

Decepções diárias nos fazem crer que não há saída, que as pessoas estão frias e fúteis recebendo lavagem cerebral a cada canal de TV que se muda.
Não vivo num conto de fadas, mas o mundo que quero ver é bem diferente do qual me encontro.
Até eu mesma já me vi em circunstâncias que colocaram à prova meu próprio caráter, mas assumir as consequências (boas ou não) são os frutos do que se foi plantado. Só assim nada é em vão. Só assim os aprendizados são efetivos.
Tenho muito ainda a aprender, mas chegar aos 30 com a esperança dos 5 anos de idade é de se considerar.

Precisamos de tão pouco para seguir em frente, para abrir um sorriso, para ter certeza que ainda dá para seguir em frente...mas as pessoas se esquecem que a simplicidade tem muito mais valor do que uma bolsa Louis Vuitton.

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